PortuguêsCESGRANRIODifícilObjetiva
Código Q0000021
Questão Q0000021
Ano 2023
Leia o texto a seguir.
Brasil, paraíso dos agrotóxicos
O Brasil vive um drama: ao acordar do sonho de uma economia agrária pujante, o país desperta para o pesadelo de ser, pelo quinto ano consecutivo, o maior consumidor de agrotóxicos do planeta. Balança comercial tinindo; agricultura a todo vapor. Mas quanto custa, por exemplo, uma saca de milho, soja ou algodão? Será que o preço de tais commodities compensa os prejuízos sociais e ambientais negligenciados nos cálculos do comércio internacional?
"Pergunta difícil", diz o economista Wagner Soares, do IBGE. A Bolsa de Chicago define o preço da soja; mas não considera que, para se produzir cada saca, são aplicadas generosas doses de agrotóxicos que permanecem no ambiente natural — e no ser humano — por anos ou mesmo décadas. "Ao final das contas, quem paga pela intoxicação dos trabalhadores e pela contaminação ambiental é a sociedade", afirma Soares.
Segundo o economista do IBGE, cada dólar gasto na compra de agrotóxicos pode custar aos cofres públicos 1,28 dólar em futuros gastos com a saúde de camponeses intoxicados. Mas este é um valor subestimado, pois contabiliza apenas os custos referentes a intoxicações agudas.
Seja na agricultura familiar, seja nas grandes propriedades rurais, "os impactos dos agrotóxicos na saúde pública abrangem vastos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais", afirma dossiê publicado pela Abrasco.
Não são apenas agricultores e suas famílias que integram grupos de risco. Todos os milhares de profissionais envolvidos no comércio e na manipulação dessas substâncias são potenciais vítimas. E, além deles, "todos nós, diariamente, a cada refeição, ingerimos princípios ativos de agrotóxicos em nossos alimentos", garante uma médica da UFC.
Produtores e especialistas alinhados ao modelo convencional de produção agrícola insistem: sem agrotóxicos seria impossível alimentar uma população mundial em constante expansão. Esses venenos seriam, portanto, um mal necessário, de acordo com esses produtores. Agricultores garantem que não há nenhuma dificuldade em produzir alimentos orgânicos, sem agrotóxicos, para alimentar a população. Segundo eles, "a humanidade domina a agricultura há pelo menos 10 mil anos, e o modelo imposto no século 20 vem apagando a herança e o acúmulo de conhecimento dos métodos tradicionais."
Mas a pergunta que não quer calar é: será que um modelo dito "alternativo" teria potencial para alimentar uma população que, até 2050, deverá chegar a 9 bilhões? Certamente tem muito mais potencial do que o agronegócio que, hoje, não dá conta nem de alimentar 7 bilhões, retrucam estudiosos. Precisamos de outra estrutura agrária — baseada em propriedades menores, com produção diversificada, privilegiando mercados locais e contemplando a conservação da biodiversidade. A engenheira agrônoma Flávia Londres defende que "Monoculturas são grandes desertos verdes. A agroecologia, portanto, requer uma mudança paradigmática no modelo agrário, que resultaria, na verdade, em uma mudança cultural".
(KUGLER, H. Revista Ciência Hoje, n. 296, v. 50. RJ: SBPC. set. 2012. Adaptado.)
Considere os dois períodos do seguinte trecho do parágrafo 6: "Esses venenos seriam, portanto, um mal necessário, de acordo com esses produtores. Agricultores garantem que não há nenhuma dificuldade em produzir alimentos orgânicos, sem agrotóxicos, para alimentar a população". Para transformá-los em um só período, mantendo-se o sentido do trecho original, deve-se empregar a palavra
Brasil, paraíso dos agrotóxicos
O Brasil vive um drama: ao acordar do sonho de uma economia agrária pujante, o país desperta para o pesadelo de ser, pelo quinto ano consecutivo, o maior consumidor de agrotóxicos do planeta. Balança comercial tinindo; agricultura a todo vapor. Mas quanto custa, por exemplo, uma saca de milho, soja ou algodão? Será que o preço de tais commodities compensa os prejuízos sociais e ambientais negligenciados nos cálculos do comércio internacional?
"Pergunta difícil", diz o economista Wagner Soares, do IBGE. A Bolsa de Chicago define o preço da soja; mas não considera que, para se produzir cada saca, são aplicadas generosas doses de agrotóxicos que permanecem no ambiente natural — e no ser humano — por anos ou mesmo décadas. "Ao final das contas, quem paga pela intoxicação dos trabalhadores e pela contaminação ambiental é a sociedade", afirma Soares.
Segundo o economista do IBGE, cada dólar gasto na compra de agrotóxicos pode custar aos cofres públicos 1,28 dólar em futuros gastos com a saúde de camponeses intoxicados. Mas este é um valor subestimado, pois contabiliza apenas os custos referentes a intoxicações agudas.
Seja na agricultura familiar, seja nas grandes propriedades rurais, "os impactos dos agrotóxicos na saúde pública abrangem vastos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais", afirma dossiê publicado pela Abrasco.
Não são apenas agricultores e suas famílias que integram grupos de risco. Todos os milhares de profissionais envolvidos no comércio e na manipulação dessas substâncias são potenciais vítimas. E, além deles, "todos nós, diariamente, a cada refeição, ingerimos princípios ativos de agrotóxicos em nossos alimentos", garante uma médica da UFC.
Produtores e especialistas alinhados ao modelo convencional de produção agrícola insistem: sem agrotóxicos seria impossível alimentar uma população mundial em constante expansão. Esses venenos seriam, portanto, um mal necessário, de acordo com esses produtores. Agricultores garantem que não há nenhuma dificuldade em produzir alimentos orgânicos, sem agrotóxicos, para alimentar a população. Segundo eles, "a humanidade domina a agricultura há pelo menos 10 mil anos, e o modelo imposto no século 20 vem apagando a herança e o acúmulo de conhecimento dos métodos tradicionais."
Mas a pergunta que não quer calar é: será que um modelo dito "alternativo" teria potencial para alimentar uma população que, até 2050, deverá chegar a 9 bilhões? Certamente tem muito mais potencial do que o agronegócio que, hoje, não dá conta nem de alimentar 7 bilhões, retrucam estudiosos. Precisamos de outra estrutura agrária — baseada em propriedades menores, com produção diversificada, privilegiando mercados locais e contemplando a conservação da biodiversidade. A engenheira agrônoma Flávia Londres defende que "Monoculturas são grandes desertos verdes. A agroecologia, portanto, requer uma mudança paradigmática no modelo agrário, que resultaria, na verdade, em uma mudança cultural".
(KUGLER, H. Revista Ciência Hoje, n. 296, v. 50. RJ: SBPC. set. 2012. Adaptado.)
Considere os dois períodos do seguinte trecho do parágrafo 6: "Esses venenos seriam, portanto, um mal necessário, de acordo com esses produtores. Agricultores garantem que não há nenhuma dificuldade em produzir alimentos orgânicos, sem agrotóxicos, para alimentar a população". Para transformá-los em um só período, mantendo-se o sentido do trecho original, deve-se empregar a palavra